Evento no SENAI-SP Distrito Tecnológico conecta problemas reais das empresas à rede de pesquisadores do CPA-CDII

Pesquisadores do CPA-CDII, representando a USP, Unicamp e Unesp

Transformar problemas reais da indústria em oportunidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Esse foi o propósito do Conecta.AI, encontro sediado no SENAI-SP Distrito Tecnológico , em São Bernardo do Campo, que reuniu representantes de 11 empresas e pesquisadores do Centro de Pesquisa Aplicada em Ciência de Dados para a Indústria Inteligente (CPA-CDII).

A iniciativa busca aproximar empresas paulistas de pesquisadores com competências em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, criando um ambiente para que desafios tecnológicos sejam apresentados diretamente à comunidade científica e possam evoluir para projetos de pesquisa aplicada.

Sediado no ICMC da USP, em São Carlos, o CPA-CDII é uma iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), SENAI-SP, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e AI2. A proposta é conectar a pesquisa acadêmica às necessidades da indústria, desenvolvendo tecnologias e formando recursos humanos especializados em áreas como Ciência de Dados, Inteligência Artificial, Machine Learning e Big Data.

Colocando essa integração em prática, a programação do Conecta.IA começou com a apresentação de Alberto Lima, gerente de Tecnologias Digitais Avançadas do SENAI-SP Distrito Tecnológico, que apresentou a estrutura da unidade e a capacidade da instituição de apoiar empresas em processos de inovação e desenvolvimento .

“O encontro representa a oportunidade de aproximar empresas, universidades e instituições de pesquisa aplicada em torno dos desafios da indústria. Esse é o papel do SENAI-SP Distrito Tecnológico, conectar esses atores, aliado ao conhecimento científico, capacidade tecnológica e as demandas do setor produtivo para que a inovação deixe de ser apenas um conceito e se transforme em solução com potencial competitivo”, afirma Alberto.

Na sequência, José Alberto Cuminato, coordenador do CPA-CDII apresentou o Centro, suas competências e as possibilidades de parceria entre empresas e pesquisadores.

Coordenador do CPA-CDII, José Alberto Cuminato, falou sobre as possibilidades de parceria

O modelo apresentado pelo Centro parte justamente dos desafios tecnológicos das empresas, que podem ser associados a grupos de pesquisa das instituições participantes. A estrutura prevê a definição de grupos de trabalho, participação de pesquisadores e bolsistas e a atuação conjunta de empresa e instituição de pesquisa no desenvolvimento das soluções.

Depois dessa apresentação, as empresas tiveram cinco minutos cada para expor seus desafios.

Da indústria aeroespacial à saúde, manufatura e sustentabilidade

Representantes de empresas apresentaram os desafios que foram discutidos com os pesquisadores

Os pitches mostraram que os desafios relacionados à Inteligência Artificial estão presentes em setores bastante distintos.

Na área aeroespacial, a PION Labs apresentou problemas relacionados à otimização de trajetórias de veículos espaciais e veículos aéreos não tripulados, além da coordenação de voos em formação. A empresa busca utilizar modelos preditivos, algoritmos de otimização e IA distribuída para tornar o planejamento de missões mais rápido e eficiente e permitir a coordenação autônoma de veículos.

A Vant Soluções Tecnológicas trouxe desafios envolvendo visão computacional e IA aplicada a operações industriais e de campo, incluindo o uso de câmeras para identificar desvios operacionais, apoiar auditorias e relacionar imagens a informações de operação. Outra frente envolve o uso de IA generativa e visão em primeira pessoa para orientar operadores durante a execução de atividades.

Para André Mohr, da Avante Serviços Tecnológicos, a experiência se destaca pela possibilidade de aproximar empresas e pesquisadores em uma dinâmica diferente da tradicional: em vez de a empresa apresentar uma solução pronta para um desafio, os pesquisadores contribuem desde a construção das estratégias para enfrentá-lo. Segundo ele, essa troca amplia a visão da startup, que costuma atuar de forma mais pragmática e orientada a resultados, ao permitir segmentar problemas complexos em diferentes abordagens e aproveitar competências complementares de cada equipe. “A experiência também revelou oportunidades concretas de parceria com pesquisadores da Unicamp e do SENAI-SP, inclusive em projetos de inovação já em andamento”, explicou.

A Valeo Itatiba, que atua no setor automotivo, busca aprimorar o acompanhamento da presença e da alocação dos operadores no chão de fábrica, reduzindo o tempo gasto por supervisores em conferências presenciais e tornando mais ágil a distribuição das equipes. A iniciativa também pretende contribuir para evitar gargalos de produção decorrentes de ausências e alocações inadequadas de profissionais.

Para Wagner Filho, gerente de inovação da Valeo, a aproximação entre empresas e pesquisadores já demonstrou resultados concretos. “A partir de encontros anteriores, surgiram projetos relevantes, incluindo uma nova unidade de negócios de sensores, criada a partir de uma ideia desenvolvida em um workshop”. Segundo ele, colocar diferentes empresas e pesquisadores à mesma mesa permite identificar desafios comuns, receber novas perspectivas e repensar soluções, criando oportunidades reais de parceria e inovação.

Da conexão à parceria

Pesquisadores e empresas vão aprofundar as demandas e identificar projetos de pesquisa 

Ao reunir empresas com problemas concretos e pesquisadores com competências científicas e tecnológicas, o Conecta.AI coloca em prática a proposta central do CPA-CDII: conectar conhecimento e aplicação para acelerar a inovação na indústria paulista.

O próximo passo é transformar as conexões estabelecidas no encontro em projetos. Para isso, pesquisadores e empresas deverão aprofundar as demandas apresentadas e identificar quais desafios podem evoluir para iniciativas de pesquisa e desenvolvimento apoiadas pelo CPA-CDII e pelo ecossistema de inovação do SENAI-SP.

Para José Alberto Cuminato, a aproximação entre indústria e pesquisadores é fundamental para ampliar a aplicação do conhecimento científico nos processos produtivos.

“Cada vez mais, a indústria valoriza a matemática nos processos de produção. A Ciência de Dados é apoiada em uma base matemática muito forte e usa pilares como a estatística, probabilidade, álgebra linear e cálculo para criar os algoritmos, analisar e entender modelos de inteligência artificial. O CPA-CDII nasce com o propósito de transferir esse conhecimento para as empresas, com uma rede de pesquisadores da área, representando as principais universidades de SP. O suporte do SENAI é fundamental e nos ajuda a fazer as coisas acontecerem”, finalizou o coordenador do CPA-CDII e professor do ICMC, da USP, em São Carlos.

Texto: Raquel Vieira

Assessora de Imprensa – Escritório de Grandes Projetos e CEPIx

Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – USP

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