
Para avançar, a ciência precisa de boas ideias, colaboração e pessoas dedicadas, como o professor José Alberto Cuminato, homenageado no segundo Workshop on Recent Advances in Computational Mechanics for Industry. Apoiado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI-USP), o evento, realizado nos dias 4 e 5 de maio no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, apresentou palestras com pesquisadores de renome, apresentação de pôsteres e um momento dedicado a celebrar os 70 anos de vida de Cuminato, ou Poti, como é carinhosamente conhecido por colegas e alunos.
Coordenador da iniciativa, o professor Fabrício Simeoni de Sousa disse que Cuminato protagonizou muitos avanços na mecânica dos fluidos computacionais, nos métodos numéricos e nas aplicações industriais. Além disso, Fabrício destacou a atuação do docente como diretor do ICMC, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC), membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e integrante da Academia Real de Ciências de Edimburgo. “Ele tem um pensamento institucional muito forte. Tudo o que fez, em cada decisão que tomou, foi pensando na instituição. Tem uma moral inquebrável e um senso de justiça muito grande”, afirmou.
As homenagens também vieram de colegas e ex-alunos que ressaltaram a capacidade de Poti de aproximar pessoas e construir colaborações duradouras na pesquisa. O pesquisador Sean McKee, orientador de doutorado de Cuminato em Oxford, relembrou o período em que o pesquisador brasileiro esteve na Inglaterra desenvolvendo sua tese sobre equações integrais de Cauchy, um tema que, segundo ele, exigiu grande autonomia acadêmica. O pesquisador, que tem mais de 20 colaborações com Poti, ressaltou o clima leve que envolveu o encontro. “Foi muito interessante e também funcionou como uma celebração ao Poti”, disse.
Cuminato, por sua vez, agradeceu à equipe do ICMC e comentou do orgulho de ter liderado a criação do CeMEAI como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID). “Foi um desafio monumental para a matemática brasileira, reconhecido por cumprir suas promessas de conectar a academia ao setor produtivo”, revela.
Para Cuminato, o encontro acabou se transformando em um momento de reencontros. “Veio bastante gente, pessoas que fizeram parte da minha carreira. Foi um encontro muito prazeroso”, afirmou.

Programação
Além do clima de reencontro e das homenagens, o workshop também foi marcado por discussões científicas relevantes entre pesquisadores do Brasil e do exterior. Entre os convidados internacionais, o pesquisador Jonathan Evans, da Universidade de Bath, no Reino Unido, falou sobre o comportamento de fluidos viscoelásticos na saída de canais, enquanto o professor Michael Vynnycky, da Universidade de Limerick, na Irlanda, apresentou apresentou estudos sobre modelagem matemática e simulação numérica aplicadas a altos-fornos utilizados na produção de ferro.
Entre os brasileiros, Álvaro Coutinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), detalhou estudos sobre métodos baseados em dados aplicados a fluxos acoplados na indústria de óleo e gás, e Cássio Oishi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), discutiu frameworks de aprendizado de máquina científico voltados à dinâmica viscoelástica. Representando o ICMC, o professor Geovane Augusto Haveroth, comentou a respeito de pesquisas relacionadas à otimização topológica para manufatura aditiva de metais.
As sessões de pôsteres também ganharam destaque ao longo do encontro. Entre os 16 trabalhos apresentados, o prêmio de melhor pôster foi concedido ao doutorando do ICMC, Pedro Bazon, escolhido por votação entre os participantes. A pesquisa busca integrar diretamente os dados experimentais aos problemas computacionais, evitando etapas tradicionais de modelagem constitutiva utilizadas na mecânica computacional. De acordo com o estudante, a proposta pode trazer benefícios como maior flexibilidade na representação de materiais e redução de limitações associadas a modelos fenomenológicos clássicos.
“Foi uma oportunidade muito importante de compartilhar um pouco do trabalho que venho desenvolvendo na pós-graduação e também de ter contato com essa diversidade de ideias, que é algo que motiva qualquer pesquisador a continuar trabalhando. Receber o prêmio de melhor pôster do evento também foi muito gratificante, um reconhecimento do esforço desses dois anos de pesquisa”, afirmou.
Segundo o professor Fabrício Simeoni de Sousa, a intenção é que o workshop passe a acontecer periodicamente no Instituto, fortalecendo o ICMC como espaço de referência em pesquisas da área. “Acredito que esta edição cumpriu o objetivo de ampliar a visibilidade das pesquisas desenvolvidas na área e expandir as colaborações entre especialistas brasileiros e estrangeiros”, concluiu.

Texto: Leonardo Zacarin
Assessor de Imprensa – Escritório de Grandes Projetos e CEPIx
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – USP





