CeMEAI

Reencontros e colaboração internacional marcam workshop de mecânica computacional promovido pelo CeMEAI

Evento reuniu convidados do Brasil e do exterior para debater avanços da área e celebrar os 70 anos do professor José Alberto Cuminato
A segunda edição do Workshop on Recent Advances in Computational Mechanics for Industry reuniu cerca de 70 pesquisadores do Brasil e do exterior no ICMC (Crédito da imagem: Start Comunicação)

Para avançar, a ciência precisa de boas ideias, colaboração e pessoas dedicadas, como o professor José Alberto Cuminato, homenageado no segundo Workshop on Recent Advances in Computational Mechanics for Industry. Apoiado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI-USP), o evento, realizado nos dias 4 e 5 de maio no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, apresentou palestras com pesquisadores de renome, apresentação de pôsteres e um momento dedicado a celebrar os 70 anos de vida de Cuminato, ou Poti, como é carinhosamente conhecido por colegas e alunos.  

Coordenador da iniciativa, o professor Fabrício Simeoni de Sousa disse que Cuminato protagonizou muitos avanços na mecânica dos fluidos computacionais, nos métodos numéricos e nas aplicações industriais. Além disso, Fabrício destacou a atuação do docente como diretor do ICMC, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC), membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e integrante da Academia Real de Ciências de Edimburgo. “Ele tem um pensamento institucional muito forte. Tudo o que fez, em cada decisão que tomou, foi pensando na instituição. Tem uma moral inquebrável e um senso de justiça muito grande”, afirmou.

As homenagens também vieram de colegas e ex-alunos que ressaltaram a capacidade de Poti de aproximar pessoas e construir colaborações duradouras na pesquisa. O pesquisador Sean McKee, orientador de doutorado de Cuminato em Oxford, relembrou o período em que o pesquisador brasileiro esteve na Inglaterra desenvolvendo sua tese sobre equações integrais de Cauchy, um tema que, segundo ele, exigiu grande autonomia acadêmica. O pesquisador, que tem mais de 20 colaborações com Poti, ressaltou o clima leve que envolveu o encontro. “Foi muito interessante e também funcionou como uma celebração ao Poti”, disse.

Cuminato, por sua vez,  agradeceu à equipe do ICMC e comentou do orgulho de ter liderado a criação do CeMEAI como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID). “Foi um desafio monumental para a matemática brasileira, reconhecido por cumprir suas promessas de conectar a academia ao setor produtivo”, revela. 

Para Cuminato, o encontro acabou se transformando em um momento de reencontros. “Veio bastante gente, pessoas que fizeram parte da minha carreira. Foi um encontro muito prazeroso”, afirmou.

O workshop homenageou a trajetória do professor José Alberto Cuminato na matemática aplicada brasileira e seu extenso legado internacional de pesquisa (Crédito da imagem: Start Comunicação)

Programação

Além do clima de reencontro e das homenagens, o workshop também foi marcado por discussões científicas relevantes entre pesquisadores do Brasil e do exterior. Entre os convidados internacionais, o pesquisador Jonathan Evans, da Universidade de Bath, no Reino Unido, falou sobre o comportamento de fluidos viscoelásticos na saída de canais, enquanto o professor Michael Vynnycky, da Universidade de Limerick, na Irlanda, apresentou apresentou estudos sobre modelagem matemática e simulação numérica aplicadas a altos-fornos utilizados na produção de ferro.

Entre os brasileiros, Álvaro Coutinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), detalhou estudos sobre métodos baseados em dados aplicados a fluxos acoplados na indústria de óleo e gás, e Cássio Oishi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), discutiu frameworks de aprendizado de máquina científico voltados à dinâmica viscoelástica. Representando o ICMC, o professor Geovane Augusto Haveroth, comentou a respeito de pesquisas relacionadas à otimização topológica para manufatura aditiva de metais. 

As sessões de pôsteres também ganharam destaque ao longo do encontro. Entre os 16 trabalhos apresentados, o prêmio de melhor pôster foi concedido ao doutorando do ICMC, Pedro Bazon, escolhido por votação entre os participantes. A pesquisa busca integrar diretamente os dados experimentais aos problemas computacionais, evitando etapas tradicionais de modelagem constitutiva utilizadas na mecânica computacional. De acordo com o estudante, a proposta pode trazer benefícios como maior flexibilidade na representação de materiais e redução de limitações associadas a modelos fenomenológicos clássicos.

“Foi uma oportunidade muito importante de compartilhar um pouco do trabalho que venho desenvolvendo na pós-graduação e também de ter contato com essa diversidade de ideias, que é algo que motiva qualquer pesquisador a continuar trabalhando. Receber o prêmio de melhor pôster do evento também foi muito gratificante, um reconhecimento do esforço desses dois anos de pesquisa”, afirmou.

Segundo o professor Fabrício Simeoni de Sousa, a intenção é que o workshop passe a acontecer periodicamente no Instituto, fortalecendo o ICMC como espaço de referência em pesquisas da área. “Acredito que esta edição cumpriu o objetivo de ampliar a visibilidade das pesquisas desenvolvidas na área e expandir as colaborações entre especialistas brasileiros e estrangeiros”, concluiu. 

O doutorando do ICMC, Pedro Bazon, recebeu a premiação de melhor pôster do evento (Crédito da imagem: Start Comunicação)

Texto: Leonardo Zacarin

Assessor de Imprensa – Escritório de Grandes Projetos e CEPIx

Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – USP

divulgaprojetos@icmc.usp.br

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