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CeMEAI

USP São Carlos recebe talentos do MIT, IMPA e UFAL em desafios industriais

Workshop do CeMEAI transforma matemática em soluções para empresas em uma semana

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP) da USP, em São Carlos, sedia até esta sexta-feira (19 de junho) a 12ª edição do Workshop de Soluções Matemáticas para Problemas Industriais (WSMPI), iniciativa criada pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) que conecta universidades, estudantes, pesquisadores e organizações em torno de desafios reais apresentados por empresas e instituições públicas.

12ª edição acontece no ICMC/USP-São Carlos

Organizado pelos professores Krerley Oliveira, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), pesquisador nas áreas de matemática aplicada e sistemas dinâmicos e coordenador do projeto Novo Ensino Suplementar (NES), e Tiago Pereira, professor do ICMC-USP e pesquisador do CeMEAI com atuação em sistemas complexos, redes e inteligência artificial, o workshop reúne equipes multidisciplinares para desenvolver soluções baseadas em matemática, computação, estatística e ciência de dados.

Durante toda a semana, os participantes trabalham intensamente sobre problemas reais propostos por empresas e instituições parceiras. Ao final do evento, cada grupo apresenta resultados preliminares, metodologias e caminhos para a continuidade das pesquisas.

Além da participação de pesquisadores e profissionais do setor produtivo, a edição de 2026 se destaca pela presença de estudantes vindos de programas de excelência acadêmica nacionais e internacionais. Participam do workshop alunos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e do projeto Novo Ensino Suplementar (NES), da UFAL, iniciativa voltada à formação avançada de jovens talentos em matemática.

“O WSMPI representa exatamente o que buscamos na formação científica: aproximar o conhecimento produzido na universidade dos desafios concretos enfrentados pela sociedade. Quando reunimos estudantes talentosos, pesquisadores experientes e instituições com problemas reais, criamos um ambiente único de inovação e aprendizado”, destaca o professor Krerley Oliveira.

Alunos irão trabalhar durante uma semana nas soluções dos problemas

Evento potencializa a formação de talentos na resolução dos desafios

Para muitos participantes, a experiência representa o primeiro contato direto com problemas complexos trazidos por empresas e órgãos públicos. É o caso da estudante de graduação do MIT, Francesca Garli que participa pela primeira vez de uma atividade acadêmica no Brasil e afirma ter se surpreendido com a dinâmica do evento.

“Eu e outros colegas estamos no país para um estágio em uma instituição financeira e aceitamos esse desafio. Eu não havia vivenciado um ambiente em que estudantes de diferentes áreas se reunissem durante uma semana para resolver problemas reais apresentados diretamente por empresas e instituições. É uma experiência muito legal poder trabalhar com problemas reais”, disse.

Para estudantes do IMPA, a iniciativa também oferece uma oportunidade rara de aplicar conhecimentos teóricos em situações concretas. Segundo o coordenador da equipe e doutorando, Ricardo Henrique Arruda, há alguns anos o IMPA vem investindo em programas de matemática aplicada, como o Centro Pi e Impatec. “ Reunimos um grupo interessado em trabalhar com problemas práticos e desafiadores. Está sendo uma oportunidade de nos conectar com pessoas de diferentes instituições, de colocar em prática técnicas que olhamos em salas de aula e transformar essas soluções abstratas em problemas reais”.

Em março deste ano, a estudante do NES, Maria Karleandra Lima dos Santos, teve sua primeira experiência na 11ª edição do workshop e, agora, está de volta a São Carlos. “ Essa edição trouxe mais problemas e mais complexos, porem a experiência é igualmente gratificante. Poder trabalhar com esses problemas e descobrir o modo de resolução deles é extremamente construtivo. Esse evento é uma experiência maravilhosa e incomparável”, resumiu.

Os desafios reais trazidos por instituições na 12ª edição do workshop

Durante a semana, os participantes estão dedicados à resolução de quatro grandes desafios apresentados por organizações dos setores público, financeiro e de saúde. Cada equipe reúne estudantes, pesquisadores e especialistas para desenvolver soluções baseadas em matemática aplicada, ciência de dados, inteligência artificial e otimização.

Um dos desafios em desenvolvimento foi apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL). O objetivo é criar uma metodologia capaz de organizar automaticamente milhares de documentos jurídicos e administrativos produzidos pela instituição, permitindo identificar precedentes, localizar fundamentos jurídicos semelhantes e facilitar a consulta por temas específicos.

“Atualmente, a busca por decisões anteriores depende, em grande parte, da leitura manual de documentos extensos e da experiência acumulada pelos servidores. A proposta discutida no workshop busca utilizar técnicas de inteligência artificial e análise semântica para reconhecer conexões entre processos, mesmo quando utilizam terminologias diferentes para tratar de um mesmo assunto”, explicou Alisson Moreira, Auditor de Controle Externo do TCE/AL.

Apresentação problema do TCE/AL

Já no desafio da Stone – Redes de Sócios, os participantes trabalham na construção de modelos matemáticos capazes de identificar grupos econômicos reais a partir de relações societárias entre empresas e indivíduos. O objetivo é diferenciar vínculos efetivos de meras coincidências administrativas, contribuindo para análises de crédito, prevenção de fraudes e gestão de riscos. A proposta envolve modelagem de grafos, detecção de comunidades e aplicação de inteligência artificial para enriquecer e validar as conexões encontradas.

O segundo problema apresentado pela Stone está relacionado a um dos principais desafios do comércio eletrônico: estimar corretamente o peso e dimensões de produtos para cálculo de fretes. Os participantes estudam formas de utilizar aprendizado de máquina e modelos de linguagem para prever características físicas dos produtos a partir de descrições textuais, reduzindo custos logísticos, melhorando o aproveitamento de cargas e aumentando a precisão das operações de entrega.

Clarissa Oprime apresenta problemas da Stone

A Hapvida trouxe ao workshop um desafio relacionado à gestão de unidades de pronto atendimento. As equipes buscam desenvolver modelos capazes de prever a demanda de pacientes, otimizar escalas médicas e simular o funcionamento de centros de urgência. A proposta inclui ainda avaliar o uso estratégico da telemedicina para reduzir filas, melhorar o atendimento e aumentar a eficiência operacional da rede de saúde.

Gerente da Hapvida, Levy Cardoso, fala sobre o desafio

“O diferencial deste workshop é que ele transforma a matemática em uma ferramenta imediata de impacto. Em poucos dias, estudantes e pesquisadores trabalham lado a lado com empresas e instituições para compreender problemas reais e construir soluções viáveis. Nesta edição, a presença de alunos do MIT, IMPA e do NES demonstra que o talento científico não tem fronteiras quando existe um ambiente capaz de conectar conhecimento e inovação”, finalizou o organizador Krerley Oliveira.

Confira como foi o primeiro dia do evento:

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